O que é arte?
uma reflexão sobre capital cultural
“A arte instala-se em nosso mundo por meio do aparato cultural que envolve os objetos: o discurso, o local, as atitudes de admiração, etc (...) eles permitem a manifestação do objeto artístico ou, mais ainda, dão ao objeto o estatuto de arte: a galeria permite que o pintor exponha seus quadros (isto é, que "manifeste" sua arte) e, além disso, determina, escolhendo um tipo de objeto dentre os inúmeros que nos rodeiam, que ele seja ‘artístico’”
Jorge Coli - O que é arte?
Por que temos a sensação de que uma obra é “melhor” e, por isso, passa a ser mais reconhecida do que a outra? Quem estipula essas regras - e por quê?
O conceito de capital cultural nos ajuda a pensar sobre o papel social da arte no capitalismo.
Definição do Capital Cultural: no livro O poder simbólico Pierre Bourdieu introduziu o conceito de capital cultural como um conjunto de recursos intangíveis que indivíduos possuem, incluindo conhecimento, habilidades, educação formal e gosto artístico.
Reprodução Social: ele argumentava que o capital cultural não apenas reflete o status social de uma pessoa, mas também é uma ferramenta crucial na reprodução das desigualdades sociais. Aqueles com mais capital cultural tendem a ter vantagens em termos de poder, prestígio e oportunidades.
Arte como Mercadoria: No contexto do capitalismo, a arte é tratada como uma mercadoria, sujeita às leis de oferta e demanda. O valor de uma obra de arte pode ser influenciado não apenas por suas qualidades estéticas, mas também pela percepção de seu valor cultural e social.
Consumo Cultural: Bourdieu observou que as preferências culturais são moldadas pela posição social e pelo capital cultural de um indivíduo. Aqueles com mais capital cultural tendem a consumir e apreciar formas de arte que são consideradas mais "legítimas" pela elite cultural (olha o barbudo Marx falando que as ideias dominantes são as da classe dominante!).
Comercialização da Arte: No sistema capitalista, a arte muitas vezes é comodificada e comercializada, o que pode levar a uma simplificação ou deturpação de seu valor cultural e estético (olha o conceito de aura do menino Benjamin!). Essa comercialização pode perpetuar desigualdades e distorcer a percepção pública sobre o verdadeiro valor da arte.
Essa discussão fascinante vai ser o tema de todo o nosso módulo 02 do curso Como Analisar Narrativas. A gente vai pensar a relação da literatura com outras artes (pintura, quadrinhos, cinema e séries), expandindo o nosso leque para diversas manifestações artísticas e o ponto de contato que elas possuem!
Algumas obras que vamos analisar:
O quadrinho Maus e o Diário de Anne Frank
As adaptações para graphic novel do 1984 (inclusive a minha preferida, feita pelo Fido Nesti)
Os filmes Orgulho e Preconceito e Blade Runner
A série Fleabag
📌Como Analisar Narrativas (módulo 02 - literatura e outras artes)
Terça-feira 12/03, 19/03, 26/03 e 2/04
R$120
Com Débora Tavares
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Nos vemos semana que vem =)



